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Estou no Museu Britânico, depois do fecho, quando todos os visitantes já saíram
e aqui está a Pedra de Roseta.
Esta foi a chave para compreender os hieróglifos Egípcios, e é um dos tesouros mais preciosos e valiosos
do Museu Britânico.
OK, esta não é a verdadeira Pedra de Roseta, essa está fechada e sob medidas de protecção incríveis,
num armário do outro lado do Grande Pátio, esta é a réplica na qual deixam as pessoas tocar.
E tantas pessoas lhe tocam, que têm de manufacturar uma nova réplica a cada par de
anos. Seja como for.
Até a Pedra de Roseta ter sido descoberta, e rapidamente "adquirida", pela campanha de Napoleão
no Egipto, ninguém na idade moderna fazia ideia de como a escrita egípcia funcionava. A ideia
mais popular era que estes eram puramente ideográficos, com cada desenho a representar um conceito.
Os linguistas modernos sabem que isso é improvável, mas isso é mais óbvio em retrospectiva: sem
qualquer contexto nem traduções pré-existentes, não havia nenhuma forma de decifrar nenhuns hieróglifos,
em lado nenhum.
Mas então: a Pedra de Roseta. Originalmente parte de um templo que foi provavelmente demolido quando
um Imperador romano ordenou que todos os templos não-Cristãos fossem fechados, e depois provavelmente usada como
material de construção. Esteve enterrada durante séculos, até que soldados Franceses a encontraram, e um deles
se apercebeu da significância que a Pedra poderia ter. No mesmo texto, três línguas:
hieróglifos, Demótico, e, mais importante, Grego Antigo,
a qual nunca tinha sido esquecida.
Mas a tradução não foi fácil: foram precisos vinte anos para os académicos a compreenderem, porque a pedra
está cheia de jargão. Os conceitos aqui não são simples. E os hieróglifos Egípcios são complexos:
o mesmo símbolo pode ser usado foneticamente, para representar um som, E para representar um
conceito abstracto, E para representar literalmente o que foi desenhado, tudo isso dependendo do contexto.
E sim, pensando bem é um pouco como escrever mensagens com emoji.
A maior pista que ajudou à tradução está aqui: os cartuchos, estes círculos com linhas.
Estes são marcadores honoríficos, ligados com os nomes da realeza. Por isso, os académicos sabiam: há nomes
nas línguas que conseguimos ler. Esses nomes também devem estar nos
hieróglifos. Bom, espera lá, já existia uma teoria em como os cartuchos indicavam nomes. Por isso,
se ligarmos essas letras com... Bem, eu estou a simplificar, imenso, foi incrivelmente
difícil, e, de forma frustrante, as traduções não são exactas, existem diferenças
entre cada um destes três textos. Mas assim que uma peça foi descoberta, havia uma forma de decifrar, e
após décadas de trabalho duro, começamos a ser capazes de traduzir hieróglifos.
A questão que muito poucas pessoas perguntam, no entanto: o que está escrito, de facto, na Pedra de Roseta?
O que está escrito aqui? Que mistérios da vida no antigo Egipto foram revelados... é sobre um culto da realeza ao qual
foram concedidos certos favores, incluindo isenção fiscal. É, essencialmente, papelada fiscal
do antigo Egipto.
O Museu Britânico está a produzir os pilotos para quatro novas séries no YouTube, e aquela de que vocês mais gostarem
será realizada.
Por isso, vão dar uma olhada no canal deles! E muito obrigado ao Museu por me deixarem entrar
neste lugar incrível depois do fecho.
Translation: João Martins